Quando penso nesse livro me faço a seguinte pergunta:

Existe alguma possibilidade de mudança em nosso mundo se não mudarmos a nós mesmos?

Essa pergunta vem de uma bela frase de Mandela citada por Aziz Djendli: “O mais difícil não é mudar a sociedade, mas mudar a si mesmo”.

Admirar um bom autor, uma figura pública, um instrutor, seu companheiro ou companheira, a família, um amigo é uma arte que desperta dentro da gente sentimentos prazerosos que podem ser experimentados e, consequentemente, distribuídos a outros. Mas como operacionalizar isso? Como transformar em ato aquilo que sabemos e sentimos? 

Precisamos ampliar a forma de analisar o que nos acontece e deter as demandas dos meios de comunicação que esperam de nós uma implacável prontidão. Evitar responder de forma imediata ou defensiva é uma tarefa que estimula a inteligência do coração. Você já pensou sobre isso? Ou você acha que seu coração é somente um órgão que você entrega ao seu cardiologista para que decida o que fazer com ele?

Uma escuta mais acolhedora requer tempo reflexivo.

Esse livro é como um tesouro composto de muitas pérolas que acordam a bondade no nosso coração.  Com ele aprendemos a cooperação interior, a juntar aquilo que está separado, e nos parece antagônico, e compor de forma harmônica. Juntar opostos e contrários, para que lindos desenhos perceptivos — e também desafios — se estabeleçam. 

O autor nos oferece diversos conceitos que se entrelaçam, apresentando uma forma de compreensão que nos leva a agir e pensar de maneira mais pragmática, construtiva e conectada com nosso Ser interior. Nesse sentido estimula nossa energia criativa que proporciona um viver com mais sabedoria e satisfação.

Com esse livro aprendi a fortalecer dentro de mim a disciplina da alegria. Em meu universo pessoal e profissional considero esta disciplina um instrumento valioso e que pode ser desenvolvido. Ela nos proporciona liberdade emocional e mental, estando intimamente conectada com nosso Ser Interior. Ela ordena de forma positiva os nossos pensamentos.  

Se antes nos sentíamos atraídos por emoções e pensamentos negativos (por hábitos condicionados e/ou aprendizagens familiares), com as referências desse livro redirecionamos nossas ideias e comportamentos.

Fazer uma parceria ativa consigo mesmo, e com aqueles e aquilo que causa dificuldades, é uma possibilidade a ser experimentada.  É uma forma de intervir na realidade.  São os desacordos positivos que nos ensinam a tolerância e a benevolência: “Posso não ter a mesma posição que você, mas estou aqui”.

Esse livro nos ajuda a aprender novos termos de referência e, quem sabe, a ousarmos aplicá-los.  

Quando encontro um tesouro como esse — e os livros têm sido grandes amigos em minha vida — eu leio e releio, e me pergunto: “O que que esse livro tem que me faz sentir nutrida e feliz? Quais são os alimentos contidos nele?”.

No caso de Mandela, uma estratégia do bem novas forma de organizar a vida aparecem como possibilidade curativa para sentimentos de vitimização e para o desconforto em que a humanidade vive hoje, fazendo do perdão uma porta, e não uma obrigação.

Eu me torno agente da minha vida e responsável pelo que penso e faço, não porque é correto, mas porque é funcional. Como aponta Aziz: “a esperança é uma necessidade funcional”. Não é interessante pensar assim? Saber que a esperança dentro da gente é função e não dever?

Nesse espectro pragmático de uma série de conceitos que em si mesmos já provocam uma mudança de atitude está a meditação ativa. Estabelecer um contato consigo mesmo, como alguém que está aprendendo algo novo, usando a respiração como veículo de conexão com uma parcela mais honesta dentro de si mesmo — seu Ser interior — e mantendo a intenção com aquilo a que a pessoa se propõe, é uma experiência transformadora.  Um trabalho de memória e neurológico, no sentido de fortalecer circuitos positivos e novos para o seu cérebro. 

Algo acontece dentro da gente quando tomamos uma direção. Tanto para ações construtivas quanto destrutivas.  

A meditação ativa vai nos ajudar a escolher aquilo que consideramos melhor. Seremos nós, então, os responsáveis por nossas escolhas e não o outro. 

Escolhemos o caminho do meio. No caminho do meio existe uma amplitude de nuances que nos ajudam a aceitar nossas flutuações, estados naturais do ser humano. Se nesses cinco minutos de respiração, três vezes ao dia, eu aceito minhas flutuações e volto ao centro, certamente sairei de diversas encruzilhadas comportamentais, priorizando aquele caminho que o bom senso me orienta a seguir.  

A visão da natureza humana nesse sentido muda, e com ela muda sua forma de lidar consigo mesmo e com o outro.  Você pode trabalhar para ter um coração sincero, atento e cuidadoso, e não ser tragado por condicionamentos que fazem você repetir e repetir os mesmos comportamentos. 

Livros como esse eu recomendo que sejam lidos três vezes.  Uma por curiosidade, quando o ego certamente dirá: “já sei”.  Uma segunda para estudar e descobrir as pérolas do tesouro. E uma terceira para praticar esses conceitos e usufruir de uma vida mais amena e menos conflituosa consigo mesmo e com os demais. 

Mandela, uma estratégia do bem – de Aziz Djendli

Zeneide Jacob

Zeneide Jacob Mendes é professora e especialista em Terapia Familiar, com pós-graduação pelo Núcleo Pesquisas-RJ, Zeneide é formadora e supervisora de Terapia Familiar Sistêmica. É também membro da International Family Therapy Association (IFTA), da Associação Brasileira de Terapia de Família (Abratef) e da Sociedade de Terapia de Família do Rio de Janeiro (ATF-RJ).

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