por Gilda Palhares

Acabei de ler um livro inspirador chamado “Mandela: uma Estratégia do Bem”, cujo autor, Aziz Djendli, é francês, nascido na Argélia, e psicoterapeuta. Aziz é autor de livros cujos temas me interessam muito: estresse e tensão emocional. Seu trabalho é bastante pragmático e oferece instrumentos simples e eficazes que podem melhorar a qualidade de nossas vidas.

No prólogo do livro ele diz que não se trata de uma biografia de Nelson Mandela nem de uma análise de sua vida. A intenção de Aziz é oferecer uma reflexão sobre a capacidade de uma mudança positiva no dia-a-dia, a partir do legado de Mandela. Assim, Aziz elabora um método, aplicável à vida cotidiana, de mudança interna profunda cujos benefícios vão muito além de uma realização pessoal. Quando adotamos um regime comportamental que se baseia na observação de si mesmo e na sinceridade, quando criamos um compromisso legítimo de não colaboração com o negativo e de não violência, uma transformação de proporções amplas pode, de fato, acontecer.

Como aprender a desenvolver a capacidade de perdão e da benevolência? De que maneira essa postura se diferencia radicalmente da passividade? E porque se confundem? 

Para Aziz, Mandela representa uma potência de espírito que cada um de nós pode assumir para si mesmo e para com os outros. É entrando em contato com a herança de suas atitudes e de seu comportamento, com sua visão de mundo e sua espiritualidade, que se faz evidente a força do perdão, da unidade e da reconciliação: a estratégia do bem. 

Eu me emocionava a cada página, encantada com os temas, as palavras, a visão. E então, me deparei com essa citação de Mandela:

“Onde quer que você esteja, assuma a responsabilidade de espalhar alegria e esperança ao seu redor”. 
Nelson Mandela

Essa frase, vinda de alguém quem passou 27 anos na prisão, me deixou impactada. Com ela, Aziz mostra que a alegria e a esperança estão entre as atitudes mais libertadoras para o corpo e para a alma. E, olha que interessante, ser alegre é uma questão séria e requer disciplina. 

Segundo Aziz, a experiência humana mostra que a busca da alegria é muito mais enriquecedora quando incluímos pessoas. Ainda que se trate de uma jornada interna de auto-observação, o compromisso com a alegria promove efeitos positivos dentro de cada pessoa e também em seu entorno, efeitos como a diminuição significativa dos ressentimentos e também da ansiedade, além da vontade de servir aos outros. Veja bem, a alegria não é um sorriso amarelo, não é fingir que tá tudo bem e colocar panos quentes. A alegria é um instrumento, e como tal, deve ser exercitada. 

E a esperança? De acordo com a PhD Barbara Fredrickson, estudiosa do tema Positividade: “a esperança aparece quando passamos por situações complexas”. Sua essência reside em acreditar que os fatos podem mudar para melhor. E essa mudança não vai acontecer como um passe de mágica, mas será conquistada por cada um de nós, com disciplina e dedicação. Diante de adversidades, as possibilidades se abrem e nos motivam a rever nossas capacidades de encontrar alternativas para mudar de rumo. Ficamos energizados a melhorar nossa vida e a dos outros, a elaborar um planejamento para colher os frutos no futuro.

Que tal seguirmos o conselho do Mandela em assumir a responsabilidade de espalhar alegria e esperança ao nosso redor?


Fonte: “Mandela uma Estratégia do Bem” Aziz Djendii e “Positivity” Barbara L. Fredrickson.

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